TERRORISMOS…

1 – Vivemos uma era dominada pelo terrorismo, que toma múltiplas formas, que vão do terrorismo islamista ao terrorismo machista, de que infelizmente temos exemplos constantes. Mas novas formas vão emergindo, como a do terrorismo feminista, menos falado mas em evidente ascendência. E temos que os combater a todos sem excepção, com a mesma lucidez e determinação. Até porque são todos filhos das mesma doença: o fanatismo.

 

2 – Num Estado de Direito é no tribunal que, quem acusa, tem que provar as acusações que faz. Célebre ou anónimo, rico ou pobre, homem ou mulher, somos todos iguais, absolutamente iguais, nesta obrigação de provar as acusações que fazemos, contra quem quer que seja. O tribunal não é um lugar para telenovelas, onde a imaginação pode ser livre, até ao desvario. Não, num tribunal é a verdade que tem que se apurar, e é ela que tem que prevalecer.

 

3 – Tenho defendido a minha inocência em relação a conhecidas acusações tenebrosas de que fui alvo, e que estão até agora totalmente por provar. Insisto: totalmente por provar. E bastou uma sessão de verdade no tribunal, no passado dia 12, para abalar todo o edifício de tretas e mentiras construído contra mim, com o muito ingénuo apoio do Ministério Público, o que lamento.

 

4 – Por isso, como aviso à navegação, deixo aqui duas simples perguntas: 1) – e se a minha ex-mulher – a título de hipótese, que a presunção de inocência constitucionalmente impõe – , estiver, simplesmente, a mentir? 2) – Pior: e se tudo não passar da cínica instrumentalização vedetística do combate à violência doméstica a interesses meramente pessoais?

 

5 – Afinal, porque é que quem me acusa gaguejou e tergiversou tanto em tribunal, incapaz de descrever com um mínimo de credibilidade situações que qualquer verdadeira, autêntica vítima de violência doméstica, caracterizaria sem hesitações? Por uma razão simples, porque a sua “acusação” não passa de um carrossel de mentiras. Um exemplo: a história do ex-futebolista Futre, que encheu páginas de jornais, nem sequer consta da acusação, que é pública, e que é o que está realmente em causa no julgamento.

 

6 – É pois preciso, a meu ver, e em primeiro lugar, ajudar a salvar a causa do combate à violência doméstica de uma das mais sinistras instrumentalizações de que ela foi alvo, por alguém que se comporta como se beneficiasse de uma total impunidade face à lei, e se pretende colocar acima de todos nós.

 

7 – O meu conselho às pessoas que se batem com coerência, coragem e constância contra a violência doméstica – e que são sem dúvida a grande maioria – é pois, que abram bem os olhos: podem estar a cair na sinistra armadilha de uma “vedeta”, que só se fez passar por vítima para melhor usar e abusar dos outros. E depois não digam que não foram alertadas…

 

8 – E, já agora, abram também bem os ouvidos, e não finjam ignorar a contínua crueldade a que o meu filho Dinis tem sido sujeito nos últimos dois anos, tal como ele próprio a descreveu em declarações feitas no Tribunal de Família – que infelizmente foram parcialmente tornadas públicas – no passado dia 22 de Janeiro. O “terrorismo feminista”, cego pela sua patologia fanática, trata o Dinis como se ele não existisse, ou melhor: procura liquidá-lo como ele se nada valesse. É iníquo, absolutamente iníquo!

 

9 – Sejamos honestos e coloquemos frontalmente a questão: o que se teria passado e dito se a criança tivesse dito em então do pai, o que afirmou sobre a mãe!… O que para aí não iria de indignada gritaria!!!…Porquê uma tão descarada hipocrisia, uma tão gritante evidência de “dois pesos, duas medidas”? Uma tal duplicidade não é realmente de gente capaz, bem pelo contrário, ela é típica das matilhas mais incapazes e um dos mais óbvios sinais do “terrorismo feminista” a que me referi acima.

 

10 – Terrorismo por enquanto claramente minoritário, mas nunca se sabe…É que, como bem tem lembrado essa grande e lúcida mulher que é Élisabeth Badinter, “a luta pela igualdade das mulheres, quando adopta uma retórica parcial e meramente acusatória – e os exemplos destes casos abundam – faz delas reféns de um fanatismo delirante e primário”.

(Hoje, no Correio da Manhã)

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *