(NÃO) VER O QUE LÁ VEM…

(NÃO) VER O QUE LÁ VEM…

– Pensar é perscrutar os sinais do que lá vem. Impensar é viver colado à “actualidade”, num singular atrofiado que substituiu tanto a vida do mundo na sua realidade e diversidade como a vida dos indíviduos na sua riqueza e interioridade.

– A “actualidade” tem há muito o seu apogeu nos telejornais televisivos. Mas ela cada vez mais se dissemina mais através do online, a todas as horas do dia e por todas as redes sociais – compactando e falseando a realidade, ao mesmo tempo que uniformiza e estupidifica os cidadãos.

– Às vezes basta mesmo apenas o uso de uma palavra em língua estrangeira – nomeadamente em inglês, claro – para ganharem foros de “actualidade” velharias tão antigas com a idade do mundo. Foi o que ainda agora aconteceu com a expressão ”fake news”, que pretende dar forma de novidade a uma prática que acompanhou desde sempre a história da humanidade e das suas instituições. Com as novas tecnologias é diferente? É evidente que sim! … Mas a “actualidade” ignora tanto a realidade como a história, ela só sabe rimar com novidade – porque se não fôr novo, como é que algo seria… actual?

– Entretanto, se olharmos para lá dessa “actualidade”, esta semana é propícia “a ver o que lá vem”, com a Cimeira Europeia de hoje e amanhã. Cimeira que deveria ser a da consagração – com o apoio de Merkel, garantia-se, desde que houvesse acordo com os social-democratas – das propostas de reformas europeias de Emmanuel Macron. E vai certamente ser a do seu discreto enterro: as listas transnacionais de deputados já lá vão, agora será a vez dos aspectos chave da união bancária, do orçamento europeu, do tesouro europeu, talvez mesmo das convenções democráticas sobre a Europa, etc..

– Sobretudo no momento que a situação italiana veio alterar profundamente as relações de força na União Europeia e na Zona Euro. E em que às conhecidas reservas alemãs às ideias de Emmanuel Macron já se vieram entretanto juntar outros países, como a Holanda, a Finlândia, a Dinamarca, a Lituânia, a Suécia, a Estónia a Irlanda, todos bem unidos contra as propostas o presidente francês. Propostas de que, para manter a “narrativa” que é o ganha pão dos servos da “actualidade”, se vai sem dúvida dizer que foram simplesmemte … adiadas para a Cimeira de junho!

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